Ilha de Marajó

(Soure e Salvaterra)

Informações úteis para visitantes

A maior ilha fluviomarinha do planeta é resultado das violentas convulsões provocadas pelo encontro do rio Amazonas com o mar. Marajó vem de Mbará­yó, que em tupi significa “barreira para o mar: de fato a ilha é formada por um enorme depósito de sedimentos carregados pelo grande rio.

São cerca de 50 mil quilômetros quadrados de superfície – pouco mais que o território da Dinamarca –, um mundo à parte na região amazônica. Ali, a força das águas forja sempre novas geografias, faz surgir e desaparecer ilhotas e altera o curso de furos, igapós e igarapés. Nessa terra mutante floresceu a cultura marajoara, cuja cerâmica sofisticada está entre os mais belos legados materiais dos povos indígenas que habitaram o atual solo brasileiro.

Marajó tem uma clara divisão de paisagens. Enquanto a face Oeste é florestada, a costa Leste – voltada para a baía de Marajó – é dominada por campos inundáveis. Esta última é a mais habitada e de acesso mais fácil. Na região, há diversas fazenda de búfalos abertas a visitação. Trata-se de uma excelente oportunidade para conhecer aspectos do modo de vida local e contemplar a fauna nos campos.

Embora o Oeste seja mais selvagem, é nele que se situa a maior cidade da ilha, Breves. A localização do município é especial: florestas excepcionalmente exuberantes se misturam a canais e estreitos, num labirinto de ilhas. Ali se percebe que Marajó pode ser considerado um arquipélago. Não existe época ideal para visitar a ilha, que se transfigura completamente nas duas estações do ano: a das enchentes, de janeiro a junho, e a das vazantes, de agosto a dezembro. Quem a conhecer numa só delas terá uma imagem tão verdadeira quanto parcial. As casas sobre palafitas refletem esta permanente transformação:

ora parecem barcos boiando nas águas, ora estão suspensas no ar.

Na região dos campos estão concentradas as fazendas de búfalos, com um rebanho total estimado em 600 mil cabeças, o maior do Brasil. Rústicas, porém imponentes, as propriedades são a essência da ilha.

Há roteiros que incluem passeios e pernoites em algumas delas. Visitá-las significa conhecer de perto o dia-a-dia do povo marajoara. As cidades de Soure e Salvaterra, ambas banhadas pela baía de Marajó, têm hotéis e restaurantes e funcionam como bases para passeios pela ilha. Nessas localidades estão algumas das melhores praias de Marajó – em geral, muito parecidas, com longas faixas de areia, caracterizadas pela amplitude de maré. O povoado de Cachoeira do Arari merece uma visita pelas atrações culturais e também pelas aves que, diferentemente de grande parte da Amazônia, ali são avistadas com facilidade.

Os guarás são mais notáveis e vivem em bandos. Mas há muitas outras: pequenas, como o baeta e o uirapuru­ de­ cabeça ­vermelha, e maiores, como japiins, araras, papagaios, tucanos, tuiuiús, saracuras e maguaris. Os relevos mais altos, com elevações que não ultrapassam 15 metros, são aterros artificiais construídos pelos índios marajoaras. Chamados de tesos, neles foram encontradas peças que retratam crenças indígenas e que revelam traços do comportamento desse povo.

 

Passeios e atrações

Destaques, a partir de Soure: praia Pesqueiro (12 km), praia Araruna e Barra Velha (6 km), praia Céu (17 km), praia Cajuúna (18 km), fazendas (10 km): visita aos campos e montaria em búfalo; caminhadas, passeios de canoa, montaria em búfalo; furo do Miguelão (20’ de lancha): passeio de lancha; ruinas Jesuítas (Joanes, 25 km), Museu do Marajó (Cachoeira do Arari, 75 km) Passeios que podem ser feitos de barcos, jipes, a pé, de bicicleta e a cavalo, levam o visitante aos alagados e às matas, mostrando também as singulares manadas de búfalos. A caça é proibida.